Amor em São Petersburgo - parte I
Há anos ganhei de um amigo o livro Amor em São Petersburgo, de Heinz G. Konsalik, mas nunca dediquei tempo para lê-lo. A picareta estou abrindo espaço para ler pelo prazer de ler, sem critérios acadêmicos ou profissionais. Literatura é também se dar o prazer em simplesmente ler.
Não quero aqui fazer análise literária nem resumo:
Quero simplesmente comentar!
Vamos, lá: a história de amor entre Grazina e Gregor começa no dia 31 de dezembro de 1912. E há sombra de uma guerra na Rússia, onde a história começa. Não sei para onde irá essa história (estou lendo ainda).
Gregor é alemão, como Heinz G. Konsalik, e se apaixona por uma russa: Grazina, filha de um aristocrata russo.
"Gregor sacudiu a cabeça. - Primeiro de tudo somos gente, depois russos ou alemães. E o amor é algo que só interessa às pessoas, não às nações" (p.29) em resposta a Micheiev, pai de Grazina. Acho essa frase sensacional, pois também considero nas minhas reflexões primeiro a existência de um ser humano, depois as suas vestimentas: católico, umbandista, budista, alemão, russo, pobre, rico, homem, mulher. Assim como Gregor também acredito "somos gente".
Outra passagem que me deixou impressionado foi o dia em que Ana, mãe de Grazina, Grazina e Gregor foram à caça de lobos. Após matarem alguns lobos os outros lobos destroçaram os mortos.
"- O seres humanos aos menos têm raciocínio - disse rouco.
- Mais isso os torna mais cruéis ainda, mais semelhantes aos lobos! Metade do mundo passa fome, e um dia vão nos devorar por isso..." disse Ana a Gregor
Ela continua sua discussão levantando a questão do proletariado, não coloquei pois não é meu objeto de análise, se colocasse associaria minha reflexão a uma falsa sociologia.
Essa passagem é muito forte, pois assim como os lobos há uma linha tênue que nos separa da barbárie e diariamente presenciamos nos noticiários essa barreira sendo rompida. Muitas vezes o nosso raciocínio é mais um instrumento de devoração do nosso irmão lobo.
Continuarei em breve...
Lindo romance.
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