Amor dói?
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Velho Chico - Rede Globo |
"- Por que dói tanto, Iolanda?", pergunta Maria Tereza a Iolanda.
"- Se não doesse, não era amor", responde Iolanda.
Este pequeno diálogo entre Maria Tereza (Julia Dalavia) e Iolanda (Carol Castro) no capítulo do dia 06/04 tem duas palavras profundas e por mais que nos pareçam óbvias explicá-las não são. E talvez nem seja questão de explicar alguma coisa. Como diria Clarice Lispector "viver ultrapassa qualquer entendimento". E a dor e o amor como parte da vida ou como manifestação da vida sempre escapam as nossas reducionistas tentativas de enquadrar a dor e o amor em uma concepção. Então, não há dor, sim, dores. Dor de dente, dor de cotovelo, dor de barriga e dor de sentir algo dentro da gente que não podemos pegar como um lápis, porém corrói mais que ácido. Também, não há amor, sim, amores. Amor pela mamãe, amor pelo amigo, amor pelos Deuses, amor ao celular, amor ao dinheiro e o tão esperado e nem sempre acontecido amor por alguém. Amor como no mito explicado por Platão de que no início havia um ser com duas cabeças, quatro pernas, quatro braços (eram quatros braços?) e que foram separados pelos deuses. Assim começou nosso desespero em busca de alguém que senta a mesma dor de amar que a nossa. Sem sentir não há amor. E dentro desse encontro positivo há o negativo da dor de amar, dor de perder o que procuramos por tanto tempo, dor de perder o encanto, dor de não suportar outra pessoa no meio dessa relação almejada como exclusiva, propriedade privada, produto. Assim o amor morre sufocado e , muitas vezes, ficamos carregando por aí uma caixinha escrita "amor" na qual nada há dentro. Para evitar que sangremos por algo que pareça com o amor, mexa como o amor, comporta-se como o amor porém não é o amor. Sigamos uma recomendação de Clarice Lispector: "todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor".
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